Genealogia da juventude red pill e a hipótese do movimento-empresa como estratégia tecnoconservadora de monetização da misoginia no YouTube
DOI:
https://doi.org/10.21142/DES-1804-2026-e0092Palavras-chave:
Mídias sociais, juventude, misoginia, guerra cultural, movimento-empresaResumo
As plataformas digitais reconfiguraram os processos de produção de subjetividades políticas e econômicas no âmbito do capitalismo contemporâneo. O presente artigo tem por objetivo delinear uma genealogia das comunidades red pill no YouTube e propor o conceito de movimento-empresa como uma modalidade de ativismo tecnoconservador em que a práxis política e a acumulação de capital mostram-se organicamente articuladas. Do ponto de vista metodológico, a pesquisa conjuga revisão bibliográfica de orientação genealógica foucaultiana com análise documental e exame crítico de dois relatórios empíricos relativos à monetização da misoginia no YouTube brasileiro (FGV e NetLab/UFRJ). Os resultados sugerem que a governamentalidade neoliberal e o empreendedorismo de si se integram à governamentalidade algorítmica, de maneira que os repertórios de guerra cultural e os indicadores de visibilidade operam simultaneamente como mecanismos de conversão da misoginia em recurso financeiro e em artefato de subjetivação. Conclui-se que o movimento-empresa impõe desafios à efetivação dos direitos humanos e ao aprofundamento do regime democrático.
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