Territorialidades emancipatórias e educação política noSul Global: associações comunitárias entre Paulo Freire eAmílcar Cabral
DOI:
https://doi.org/10.21142/DES-1804-2026-0086Palavras-chave:
Democracia, participação comunitária, educação não formal, associações, movimentos sociaisResumo
Em territórios periféricos do Sul Global, associações comunitárias articulam educação não formal, memória e incidência pública. Este artigo busca compreender, comparativamente, como a Associação Raízes, no Brasil, e a Associação Pilorinhu, em Cabo Verde, produzem educação política em diálogo com os legados de Paulo Freire e Amílcar Cabral. Realizou-se um estudo qualitativo, comparativo e relacional baseado em observação participante conduzida entre 2023 e 2025, registros de campo e análise de estatutos e documentos norteadores, segundo quatro dimensões analíticas. A análise revelou que a Raízes transforma educação ambiental e saber técnico em formação e incidência institucional, enquanto a Pilorinhu articula memória cabralista, arte e ocupação comunitária do espaço para produzir pertencimento e mobilização. A comparação evidencia a ambivalência da formalização e da proximidade. Autonomia e territorialidade emergem da articulação situada entre repertórios, escala, governança, autoria comunitária e relações com o Estado.
Downloads
Referências
Associação Raízes. (2024). Estatuto: 8ª alteração estatutária. https://associacaoraizes.org.br/transparencia/
Associação Raízes. (2016). Projeto político pedagógico. Raízes.
Associação Pilorinhu. (S. d.). Como se cria uma organização social e política ao serviço da comunidade: Experiência prática do Projecto Simenti, Movimento Korrenti di Ativista à Associação Pilorinhu.
Associação Pilorinhu. (2021). Estatuto da Associação Pilorinhu.
Baquero, M. (2003). Construindo uma outra sociedade: O capital social na estruturação de uma cultura política participativa no Brasil. Revista de Sociologia e Política, 21, 83-108. https://www.scielo.br/j/rsocp/a/8zCdyj9qYKBWcQVWJ3M8Swq/?lang=pt
Bortolotti, S. (2017). Scrivere la violenza: Pratiche di prevenzione alla violenza urbana e attivazione comunitaria a Praia, Capo Verde: Una ricerca-azione incarnata. [Tese de doutorado, Libera Università di Bolzano].
Cabral, A. (1951). A proposito de Educação. Cabo Verde, Boletim de Propaganda e Informação, II(21), 24-25.
Cabral, A. (1979). Análise de alguns tipos de resistência. Bolama.
Cabral, A. (1980). A arma da teoria. Codecri.
Cabral, A. (2019). A luta criou raízes. Intervenções, entrevistas, reflexões, artigos, 1964-1973. Fundação Amílcar Cabral.
Cardina, M. e Rodrigues, I. N. (2022). Memoryscapes of the liberation struggle in Cape Verde. Em Remembering the liberation struggles in Cape Verde: A mnemohistory (pp. 94-112). Routledge. https://doi.org/10.4324/9781003396925-7
Cardina, M. e Rodrigues, I. (2023). O dispositivo mnemónico. Uma história da memória da luta de libertação em Cabo Verde. Imprensa da Universidade de Coimbra. https://doi.org/10.14195/978-989-26-2454-9
Carlos, E. (2012). Movimentos sociais e instituições participativas: Efeitos organizacionais, relacionais e discursivos. [Tese de doutorado, Universidade de São Paulo]. https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8131/tde-13122012-093218/fr.html
Cardina, M. e Rodrigues, I. N. (2023a). Memoryscapes of the liberation struggle in Cape Verde. Em M. Cardina (org.). The Portuguese Colonial War and the African Liberation Struggles: Memory, Politics and Uses of the Past (pp. 94-112). Routledge. https://doi.org/10.4324/9781003396925-7
Cardina, M. e Rodrigues, I.N. (2023b). O dispositivo mnemónico. Uma história da memória da luta de libertação em Cabo Verde. Imprensa da Universidade de Coimbra. https://doi.org/10.14195/978-989-26-2454-9
Cefaï, D., Mello, M. A. S., Mota, F. R. e Veiga, F. B. (Orgs.). (2011). Arenas públicas. Por uma etnografia da vida associativa. EdUFF.
Costanza-Chock, S. (2020). Design justice. Community-led practices to build the worlds we need. The MIT Press. https://doi.org/10.7551/mitpress/12255.001.0001
Freire, P. (1982). Pedagogia do oprimido. (11ª ed.). Paz e Terra
Freire, P. (2011). Pedagogia da autonomia. Paz e Terra.
Freire, P. e Horton, M. (2019). O caminho se faz caminhando. Conversas sobre educação e mudança social. Vozes.
Freire, P. e Faundez, A. (1985). Por uma pedagogia da pergunta. Paz e Terra.
Freire, P. (2020). Política e Educação. Paz e Terra.
Gohn, M. da G. (2001). Movimentos sociais e educação. (5ª ed.). Cortez.
Gohn, M. da G. M. (2005). Educação não formal e cultura política. (3ª ed.). Cortez.
Gohn, M. da G. (2006). Educação não formal, participação da sociedade civil e estruturas colegiadas nas escolas. Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação, 14(50), 27-38. https://doi.org/10.1590/S0104-40362006000100003
Gohn, M. G. (2014). Educação não formal, aprendizagens e saberes em processos participativos. Revista de Educação, 19(1), 35-44.
Gohn, M. da G. (2019). Participação e democracia no Brasil. Da década de 1960 aos impactos pós-junho de 2013. Vozes.
Larrosa Bondía, J. (2002). Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Revista Brasileira de Educação, (19), 20-28. https://www.scielo.br/j/rbedu/a/Ycc5QDzZKcYVspCNspZVDxC/?format=pdf&lang=pt
Laville, J.-L. e Frère, B. (2023). A fábrica da emancipação. Repensar a crítica do capitalismo a partir das experiências democráticas, ecológicas e solidárias. Ateliê de Humanidades.
Meneses, M. P. (2012). Sul global. Em Centro de Estudos Sociais, Dicionário das crises e das alternativas (pp. 199-200). Almedina. https://hdl.handle.net/10316/91041
Prashad, V. (2012). Dream history of the global South. Interface: A Journal for and About Social Movements, 4(1), 43-53. https://scispace.com/pdf/dream-history-of-the-global-south-1-1kjg3oczsq.pdf
Pronko, M. A. (2003). A comparação como ferramenta de conhecimento e os processos de integração supranacional: desafio para as ciências sociais. Em A. Fausto, M. A. Pronko e S. C. Yannoulas (orgs.), Políticas públicas de trabalho e renda na América Latina e no Caribe (Vol. 1, pp. 573-594). Abaré e FLACSO/Brasil.
Pulido Tirado, G. (2009). Violencia epistémica y descolonización del conocimiento. Sociocriticism, 24(1-2). https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=4637301
Quijano, A. (2005). Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. Em E. Lander (org.), A colonialidade do saber. Eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas (pp. 117-142). CLACSO.
Romão, J. E. e Gadotti, M. (2012). Paulo Freire e Amílcar Cabral. A descolonização das mentes. Instituto Paulo Freire.
Santos, A. B. dos, Kohan, W. O. e Pereira Junior, G. (2025). Entrevista com Nego Bispo: «Eu lhe ensinei tudo que eu sabia, mas eu não sabia tudo que eu queria lhe ensinar». Trans/Form/Ação: Revista de Filosofia da Unesp, 48(1), e025053. https://doi.org/10.1590/0101-3173.2025.v48.n1.e025053
Santos, A. B. dos. (2015). Colonização, Quilombos. Modos e significações. Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Inclusão no Ensino Superior e na Pesquisa (INCTI) e Universidade de Brasília (UnB)
Santos, A. B. dos. (2023). A terra dá, a terra quer. Ubu Editora e Piseagrama.
Scherer-Warren, I. (2015). Desafios para uma sociologia política brasileira: os elos entre movimentos e instituições. Sociologias, 17(38), 44-62. https://doi.org/10.1590/15174522-017003803
Silva, C. e Piazza, M. (2024). Amílcar Cabral, educador e ativista da libertação. Para uma teoria da resistência pós-colonial. Rosa de Porcelana.
SOFOVIAL (Comunicación Alternativa). (1993). Amílcar Cabral descrito por Paulo Freire. [Vídeo do YouTube]. https://www.youtube.com/watch?v=nqkMTU3_aOk
Sosa, M. (1984). ¿Será posible el sur? [Canción]. Em ¿Será posible el sur? Philips.
Traverso, E. (2022). Pasados singulares. El «yo» en la escritura de la historia. Alianza.
Velloso, N. (2019). O mar e a vovó tartaruga: Variações políticas na luta da Associação Pilorinhu na cidade da Praia em Cabo Verde. [Tese de doutorado, Universidade Federal do Rio de Janeiro].
Vivero-Arriagada, L. (2020). Reflexiones en torno al pensamiento de Gramsci y Freire: Sus puntos de encuentro. Eleuthera, 22(1), 192-210. https://doi.org/10.17151/eleu.2020.22.1.11
Warren, M. E. (2001). Democracy and association. Princeton University Press.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença

Esta obra está bajo una licencia http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/















