Da emergência ao rastro: hesitação vacinal como mobilização informal no Facebook brasileiro e seus impactos para a democracia sanitária (2014-2022)
DOI:
https://doi.org/10.21142/DES-1804-2026-0085Palavras-chave:
Vacinação, movimento social, desinformação, polarização políticaResumo
Este artigo analisa a hesitação vacinal contra o HPV no Facebook brasileiro. A vacina, gratuita e cientificamente robusta, enfrentou resistência crescente desde 2014, com cobertura persistentemente abaixo da meta. O objetivo é demonstrar que essa hesitação não é um déficit informacional individual, mas uma forma de mobilização informal mediada por plataformas. Metodologicamente, o estudo combina análise de conteúdo qualitativa e análise descritiva de métricas de engajamento sobre 1.064 publicações coletadas via Meta Content Library API em três marcos: 2014, 2017 e 2022. Os resultados revelam três fases: pânico inicial amplificado pela imprensa (2014); politização atrelada ao ecossistema bolsonarista (2017); e desmobilização na plataforma (2022). Conclui-se que, embora o debate tenha arrefecido no Facebook, os efeitos sobre a baixa cobertura vacinal persistem como rastros duradouros para a democracia sanitária.
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