“Hybrid and Relational Repertoires in the Struggle over Gender: Feminist, LGBTIQ+, Anti-Patriarchal Masculinities, and Neoconservative Activisms in Chile”

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21142/DES-1804-2026-0082

Palavras-chave:

feminismos, antifeminismo, ativismos LGBTIQ, disputa de gênero, processo constituinte chileno

Resumo

Este artigo expõe o modo como ativismos feministas, LGBTIQ+, de masculinidades antipatriarcais e de grupos neoconservadores no Chile articulam repertórios clássicos da ação coletiva com práticas de acompanhamento, formação, comunicação e assistência, tudo isso como parte da disputa contemporânea pelo gênero. O caso chileno é especialmente relevante pela intensificação que, na última década, adquiriram os conflitos em torno das desigualdades e violências de gênero, dos direitos sexuais e reprodutivos, da educação sexual integral e da identidade de gênero, culminando em um processo constituinte fracassado no qual movimentos e contramovimentos sociais se enfrentaram.

O artigo baseia-se em uma pesquisa desenvolvida entre os anos de 2021 e 2024, no âmbito de um projeto Fondecyt Regular, sustentada em uma estratégia etnográfica multissituada que articulou etnografia digital das redes e plataformas das organizações que disputam o gênero, observação de marchas, comemorações e intervenções de rua, e entrevistas em profundidade com seus/suas ativistas em Santiago e Valparaíso. Essa combinação metodológica permite analisar tanto os repertórios efetivamente mobilizados quanto os sentidos que os/as atores/as atribuem às suas práticas e formas de organização.

Os resultados mostram que a disputa contemporânea pelo gênero não pode ser compreendida apenas a partir da noção de ação conectiva no espaço digital, nem somente a partir dos repertórios visíveis de protesto. Embora as plataformas digitais tenham ampliado a circulação de mensagens e a capacidade de interpelação, a mobilização continua apoiada em organizações concretas, com trajetórias acumuladas e práticas persistentes de busca de incidência institucional, ativismo nas ruas, formação e produção de sentido. A partir do trabalho de campo, online e offline, identificamos seis tipos de práticas presentes, com intensidades distintas, nos diferentes tipos de ativismos feministas, LGBTIQ+, de masculinidades contra-hegemônicas e das organizações neoconservadoras: incidência política, ação contenciosa, acompanhamento, formação e produção de conhecimentos, comunicação e assistencialismo.

O movimento feminista aparece como o ator com o repertório mais consolidado, seguido pelos ativismos LGBTIQ+, enquanto o contramovimento neoconservador tem fortalecido de forma sustentada suas capacidades de intervenção pública. Em contraste, os coletivos de masculinidades contra-hegemônicas apresentam uma presença pública mais incipiente e concentrada em espaços de reflexão entre pares. Os achados mostram que a transformação mais relevante da ação coletiva em torno do gênero não reside apenas na digitalização do protesto, mas na crescente centralidade de repertórios relacionais orientados ao acompanhamento, ao suporte, à formação e, em alguns casos, à assistência material.

No entanto, esses repertórios não são politicamente equivalentes. Enquanto feminismos, ativismos LGBTIQ+ e coletivos de masculinidades contra-hegemônicas articulam essas práticas para questionar hierarquias de gênero e ampliar a autonomia, o reconhecimento e os direitos, os grupos neoconservadores combinam incidência, pedagogias morais e assistencialismo para defender limites sobre corpos, sexualidades e formas de criação. Ainda assim, reduzir a análise destes últimos a uma mera reação antidereitos impede compreender por que conseguem mobilizar e produzir adesão. Para isso, sustentamos que a disputa contemporânea pelo gênero também se configura por meio da mobilização de afetos, não apenas na lógica de expansão do pânico moral, como tem mostrado a literatura sobre o neoconservadorismo, mas também porque sua atuação permite ler vulnerabilidades, traduzir mal-estares e oferecer promessas de proteção, cuidado, reconhecimento ou certeza diante de um cenário de mudanças aceleradas.

A partir dessa perspectiva, argumentamos que uma das transformações centrais da ação coletiva contemporânea reside na crescente importância de repertórios híbridos e relacionais que ampliaram as formas de intervenção política e reconfiguraram os modos como o gênero é disputado no espaço público.

 

 

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Biografia do Autor

  • María Angélica Cruz Contreras, Universidad de Valparaíso. Valparaíso, Chile

    Socióloga de la Universidad de Chile y doctora en Sociología por la Universidad Complutense de Madrid. Profesora titular de la Escuela de Sociología de la Universidad de Valparaíso e investigadora del Centro de Estudios Interdisciplinarios sobre Cultura Política, Memoria y Derechos Humanos. Sus líneas de investigación abordan género, memorias sociales de la dictadura, movilizaciones sociales y epistemologías feministas. Ha participado en proyectos FONDECYT como investigadora responsable y coinvestigadora.

  • Félix Aguirre, Universidad de Valparaíso. Valparaíso, Chile

    Sociólogo, máster y doctor en Ciencias Políticas y Sociología por la Universidad Complutense de Madrid. Profesor titular de la Escuela de Sociología de la Universidad de Valparaíso e investigador del Centro Interdisciplinario de Estudios en Salud (CIESAL). Sus líneas de investigación comprenden la historia política e intelectual del socialismo y la cultura política contemporánea. 

  • María José Reyes Andreani, Universidad de Chile. Santiago, Chile

    Psicóloga de la Universidad de Chile, doctora y magíster en Psicología Social por la Universidad Autónoma de Barcelona. Profesora asociada del Departamento de Psicología de la Facultad de Ciencias Sociales de la Universidad de Chile. Sus investigaciones se centran en la construcción social de memorias, memoria intergeneracional y vidas cotidianas, con énfasis en sus dimensiones subjetivas, sociales y políticas.

     

  • Francisco Jeanneret Brith, Universidad Central de Chile. Santiago, Chile

    Doctor y magíster en Psicología Social por la Universidad Autónoma de Barcelona y psicólogo por la Universidad Diego Portales. Se desempeña en la Universidad Central de Chile. Su trayectoria investigativa se ha desarrollado en el campo de la Psicología Social y Comunitaria, con especial interés en las formas de lo común, lo comunitario, la memoria social y las prácticas colectivas en contextos territoriales. Su trabajo articula investigación empírica, reflexión teórica y trabajo situado, en diálogo con la filosofía política y las ciencias sociales. 

  • Paula Eguren Álvarez, Universidad de Chile. Santiago, Chile

    Socióloga por la Universidad de Valparaíso y magíster en Sociología por la Universidad Alberto Hurtado. Se desempeña en la Universidad de Chile. Ha participado en proyectos de investigación sobre cultura, política, memoria y género. Sus líneas de investigación se centran en las relaciones entre memoria social, género y política, con especial interés en las experiencias y representaciones vinculadas a las dictaduras del Cono Sur.

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Publicado

2026-09-14

Como Citar

“Hybrid and Relational Repertoires in the Struggle over Gender: Feminist, LGBTIQ+, Anti-Patriarchal Masculinities, and Neoconservative Activisms in Chile”. (2026). Desde El Sur, 18(4), e0082. https://doi.org/10.21142/DES-1804-2026-0082

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